• Mãe Maria Elise Rivas

TERCEIRO MOMENTO DA INICIAÇÃO

Continuando a discussão a respeito dos momentos ou fases da Iniciação, compartilhamos excerto adaptado de nosso livro “O mestre iluminando consciências”, publicado pela Ícone em 2002, páginas 50 a 52, em que versamos sobre o que chamamos Terceiro Momento da Iniciação. Os textos sobre o primeiro e segundo momentos encontram-se nesta página.


TERCEIRO MOMENTO: HOMEM ORDINÁRIO OU VULGAR – EXALTAÇÃO OU MORTE DO EGO

As dificuldades para se libertar ou se conhecer são incomensuráveis devido ao caminho encontrar-se no inconsciente. Segue então o velho conflito: se não vejo, não existe e, se existe, por que não vejo?

O caminho que liga o aspirante ao estado espiritual torna-se então mais doloroso e conflitante pela persistência que apresenta em ver o espírito separado do corpo, como se fossem duas entidades distintas. Ele crê que precisa optar entre um e outro, o que o torna imensamente infeliz e desassossegado.

Não consegue perceber que o corpo, é ferramenta preciosa e imprescindível para o espírito. Necessitamos da capacidade de percepção, cinco sentidos, para poder ter consciência, nem que de forma indireta, de que existe um inconsciente, ou seja, só perceberemos o inconsciente atuante em nós se usarmos nossa porção consciente. É através dos processos conscientes que iremos interpenetrando estágios interiores de nós mesmos.

É uma questão de sublimação, ou seja, de canalização de nossa mente para aspectos cada vez mais subjetivos, abstratos.

É a própria união dos contrários (ausência de dualidade), é o consciente se unindo ao inconsciente, é a unidade, a convergência no próprio indivíduo. E, pela lei da interdependência, ocorre a união da consciência individual com a consciência coletiva. Porém, a pessoa aspirante comete um devaneio intelectual que não permite que ela perceba que todas as atitudes do sacerdote ou da sacerdotisa, isto é, do pai ou da mãe de santo, têm um significado superior, que transcende a aparência. O devaneio é tamanho, que ela passa a acreditar que sua capacidade de criação é superior à do pai ou da mãe de santo, e sua cegueira espiritual, crivada de um complexo de inferioridade camuflado pelo orgulho, resolve rebelar-se em “eu sou melhor”.

A distância (estado espiritual) que a separa do pai ou mãe de santo é tão grande, que ela não percebe que os mecanismos psicoafetivos de seu orientador ou sua orientadora são muito superiores aos seus e dispensam provas, com as quais está habituada a conviver e das quais sente falta, fruto das mentes infantis, que necessitam ser estimuladas por coisas tangíveis.

É um momento decisivo, em que deverá dedicar seus esforços para conseguir aquietar sua mente, devolvendo-a à rota das aspirações de crescimento espiritual.

Porém, antes de atingirmos este estágio, é necessário que rompamos a visão distorcida de que nosso ego é o centro do universo.

Matar ou exaltar o ego?

Este momento é marcado pelo desejo da pessoa de ocupar o lugar do pai ou da mãe de santo.

Ela se depara com um momento crítico. Ela ainda não abdicou da forma convencional de perceber o mundo e não compreende a visão mais universal do pai ou da mãe de santo.

É iludida pelas fantasias e apegos e acredita ser mais que seu pai ou sua mãe de santo. Acha-se mais perspicaz, inteligente, capaz e mesmo mais amadurecida espiritualmente. Só não consegue perceber que sua mãe ou seu pai de santo a observa atenciosamente e aguarda que rompa com este momento crucial, em que optará pelo desenvolvimento na Iniciação ou...

Este período é decisivo. Hora de tomar consciência de seus devaneios e abraçar a condição de inicianda, e assim entregar à Iniciação, reconhecendo o valor e a importância de sua mãe ou seu pai de santo ou alçar voo para uma grande fantasia, a de já ser sacerdote ou sacerdotisa “pronta” e se lançar a viver esta condição segundo seus moldes pessoais.

Infelizmente, nestes casos, a pessoa se esquece que era como uma lagarta que estava em franca metamorfose e, sem paciência, resolveu sair do casulo antes da hora, queimando etapas, nascendo de forma imperfeita, constituindo um corpo anômalo, com a ilusão de ser uma linda borboleta.

Sabemos que existem aqueles que também abandonam tudo e saem blasfemando contra sua mãe ou seu pai de santo, pois não compreenderam a Iniciação e, muito menos, sua mãe ou seu pai de santo.


Mãe Maria Elise Rivas

Íyá Bê Ty Ogodô

Mestra Yamaracyê

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