• Mãe Maria Elise Rivas

SEGUNDO MOMENTO DA INICIAÇÃO

Mucuiú, motumbá, kolofé, saravá, axé,


Continuando a discussão que iniciamos semana passada, compartilhamos excerto adaptado de nosso livro “O mestre iluminando consciências”, publicado pela Ícone em 2002, páginas 48 e 49, em que versamos sobre o que chamamos Segundo Momento da Iniciação. O texto sobre o primeiro momento encontra-se nesta página, publicado na segunda-feira anterior.

SEGUNDO MOMENTO: homem ordinário ou vulgar – instinto reformista

Neste momento nos deparamos com a pessoa presa a seus e apegos e afoita por satisfazê-los com coisas externas, o que acaba por prendê-la ao mundo objetivo, consciente, criando uma resistência para penetrar em aspectos mais profundos de si mesma (subjetivo/inconsciente). Ela deseja conhecer sua condição espiritual, porém ainda de forma descompromissada, por isso não consegue atingir outros níveis de sua própria consciência. A multiplicidade, o pluralismo ilusivo a encanta, dificultando a busca de algo que não se encontre no mundo das formas, que não seja palpável, perceptível, surgindo mais uma vez o conflito, a dúvida, pois quer satisfações imediatas e concretas, temendo não conseguir o mesmo com as coisas abstratas. A visão distorcida que tem da realidade faz com que ela se centre em aspectos divergentes, valorizando o “Eu”, enfatizando apenas sua forma peculiar de perceber o mundo, tornando-se resistente a modificações, transformações. Tem medo de perder sua identidade e não se sente forte e lúcida para compreender que ela apenas se expande, se desata. Devido à dificuldade de se desvincular do convencional, tenta fazer o inverso, levar o convencionalismo para a Escola de Iniciação. Esta fase é marcada pelo espírito reformista, onde o discípulo deseja adaptar a Escola de Iniciação aos valores convencionais da sociedade (De forma alguma somos apologistas da execração do corpo ou da vida em sociedade, apenas defendemos a ideia da necessidade de sermos conscientes de nossa condição de espírito e nesta certeza não valorizarmos mais a aquisição de bens materiais, transitórios, em detrimento de bens espirituais, eternos. A humanidade tem deflagrado em misérias e mais misérias por defender apenas coisas e corpos em detrimento do espírito que temporariamente se utiliza de corpos).

Inconscientemente, a pessoa almeja eternizar os valores do mundo profano por apresentar dificuldades para abandonar os apegos. Tentar tornar mais fácil a Iniciação, pois no mundo convencional não há o compromisso direto com o espírito. Nele, as pessoas se encontram mais centralizadas no corpo, sem preocupações com o hiperfísico. Tem uma enorme resistência para abandonar o automatismo e o convencionalismo, sente-se vazia e sem “chão”, diria até sem parâmetros, tamanha a influência do condicionamento ao qual somos expostos desde o nascimento e mesmo em outras vidas, o que repercute em nosso inconsciente (sombra – Carl Jung). Luta contra os valores da Escola de Iniciação, dando vazão ao egocentrismo, iludindo-se com a ideia da necessidade iminente de das reformas, sem se dar conta de que na realidade está fugindo de si mesma, desejando esconder-se atrás das falácias do convencionalismo, demonstrando dificuldade de abrir sua mente para novas realidades. Sente-se menosprezado por não ser ouvido e ocupa sua mente e sentimento apenas com sua inconformidade, perdendo muito tempo. Ao longo dos dias, acaba percebendo que a operacionalidade da Escola de Iniciação é em função do ser humano e da humanidade, e não do ego.


Mãe Maria Elise Rivas Íyá Bê Ty Ogodô Mestra Yamaracyê

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